O leão do norte dos livros

Suplemento Pernambuco enfatiza pluralidade de vozes e milita pela ampliação da diversidade no cânone

Capa do Suplemento Pernambuco, novembro de 2017

Editado pela Imprensa oficial do Estado de Pernambuco, o Suplemento Pernambuco acaba de completar uma década. Com edições mensais impressas e um site dinâmico, sua pauta procura dar conta da pluralidade de vozes que têm emergido no cenário literário, com atenção especial a escritores negros e mulheres

“O Pernambuco se volta a pensar a literatura a partir das questões contemporâneas. E por questões contemporâneas, no exato momento, leia-se a crise instaurada no Brasil desde 2013”, define, sem meias palavra, o editor Schneider Carpeggiani, que falará pela publicação no seminário Livros em Revista (leia aqui sobre o seminário).

“Também a própria crítica precisa ser feita por atores de dicções plurais, já que vivemos um momento de claro deslocamento do que entendemos por cânone”, prossegue o editor, enfatizando o caráter proeminentemente político da publicação. “A literatura é sempre ponto de partida para a gente pensar o país.”

Para ficar com dois exemplos, a publicação estampa o poeta negro Ricardo Aleixo na capa de sua edição de novembro, frisando que “seus poemas refletem sobre questões periféricas, mas brilham pelo exercício de linguagem que trazem. Logo, são políticos porque questionam a literatura”. Em outubro, a capa foi dada a Maria Firmina dos Reis (1825-1917), primeira escritora da língua portuguesa a escrever um romance abolicionista.

Curiosamente, a maior parte de seu público leitor – universitários, em sua maioria jovens com menos de 30 anos – não está em Pernambuco, mas no Rio e em São Paulo. “Recife é nossa terceira cidade”, diverte-se Schneider. Dois mil e dezessete, ele diz, foi um ano importante para o Suplemento, que lançou seu próprio selo editorial e por ele publicou dois livros: Genealogia da ferocidade — Um ensaio sobre Grande Sertão: veredas, de Silviano Santiago e Antologia fantástica da República Brasileira, de José Luiz Passos. Inaugurou ainda o projeto Intelectuais na tormenta, série de entrevistas em vídeo para internet com nomes como Heloísa Buarque de Holanda.

O exemplar impresso custa R$ 6, com assinatura anual a R$ 60. O acesso ao conteúdo on-line é gratuito, com as edições disponíveis para download em PDF.

 

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