Mora na filosofia

Revista Cult comemora 20 anos de pontes entre a academia e o grande público

 

A primeira capa da revista Cult, agosto de 1997

 

Decana do jornalismo de livros no país, a revista Cult acaba de fazer 20 anos e é uma das convidadas para a mesa que abre o seminário sobre publicações independentes Livros em Revista, que vai acontecer no Sesc Bom Retiro, em 29 e 30 de novembro, com curadoria da revista Quatro Cinco Um e do Sesc-SP (veja serviço no pé deste texto).

 

Fundada por Paulo Lemos, que desde o início incumbiu da edição o crítico Manuel da Costa Pinto, a Cult surgiu como “Revista Brasileira de Literatura”. Quando foi adquirida por Daysi Bregantini, em 2001, ganhou uma pauta mais ampla concentrada em temas transversais da cultura e hoje ostenta um time de colunistas como Francisco Bosco, Marcia Tiburi e Vladimir Safatle.  

 

Ao contrário de outras publicações representadas no seminário Livros em Revista (leia aqui sobre o seminário), sua pauta não dá prioridade aos lançamentos do mercado editorial. Mesmo que publique resenhas vez ou outra, a revista criou um modelo em que é um dossiê temático que dá o tom geral de cada edição – é Clarice Lispector, por exemplo, quem está na capa de novembro–, compilando artigos nos quais a sociologia, a psicanálise, a história e especialmente a filosofia têm papel central e desenvolvendo especiais periódicos em torno de Freud, Marx, ou Foucault.

 

“É uma opção. O que a gente procura fazer é um debate crítico que passa pelo pensamento contemporâneo, por questões políticas debatidas com muito fôlego”, define Daysi. “É uma publicação feita por acadêmicos, mas direcionada a um público mais amplo, que procura trazer os assuntos pelas palavras de quem pesquisa a fundo.” Matérias menores e vinculadas à agenda ficam reservadas ao site e eventos e cursos são oferecidos no Espaço Cult, na Vila Madalena. É justamente Fernanda Paola, filha de Daysi, curadora e fundadora quem falará sobre a publicação no seminário.

 

“Nosso leitor é jovem, tem mais ou menos entre 25 e 40 anos, terminando a graduação, iniciando a pós, além de professores de um modo geral”, complementa a publisher, frisando que a revista sobrevive de seus assinantes e leitores: “sem leis de incentivo, a Cult nunca teve sócios investidores ou patrocinadores de nenhum tipo”. Segundo ela, o principal desafio não é a edição, mas distribuição, desafio que hoje já não se restringe às publicações independentes.

 

Para a comemoração dos 20 anos, um livro com uma seleção de melhores entrevistas foi lançado em junho (Intrínseca). Até 18 de março de 2018, uma exposição no Centro Universitário Maria Antonia apresenta uma seleção de 20 capas que marcaram a história da revista, escolhidas entre as 228 já publicadas.